O sonho

A mulher resolve, então, procurar a terapia. Foi a gota d'água. Aliás, uma goteira. Acontecia todo o dia. Melhor, toda a noite. Sonhos eróticos incríveis. Com o marido. Saía de um filme com o Judd Law e sonhava que dava pro marido! Pegava pilhas de DVDs com os galãs mais bonitos e sexys do planeta e pimba! Sonhava com trepadas cinematográficas com o marido. Era motivo de chacota nas conversas com as amigas. Ui, hoje eu sonhei com o Brad Pitt provocava uma, fazendo bocas de Angelina Jolie. E eu passei a noite dando pro Benício Del Toro, toreava a outra. E você, como foi a noite com o Jorge Antônio? A terapeuta quis saber como estava a vida sexual do casal. Nada. Transavam só nos sonhos dela. É isso, sentenciou. Transe com o marido que os sonhos voltarão a ser fantasias mais interessantes. Naquela noite, encarou firme todo o jogo na TV ao lado do Jorge Antônio, pra não dar chance para qualquer desculpa. Tomou cerveja junto e arrastou o cara pra cama sob olhares desconfiados. E pimpa e pimpa. Deu logo duas pra garantir. Afinal, como disse o comentarista, um a zero era resultado perigoso. No outro dia, o marido continuava olhando desconfiado.
- O que foi?
- Desde quando você gosta de futebol?
- Só porque eu fiquei assistindo ontem?
- Não, porque você passou a noite dizendo, "vai, mete no fundo, aí, isso, não, não tem impedimento, mete logo… Fabinho Cusparada!?
Ela sorriu.
- Nada não. Foi só um lance do jogo de ontem.
Fabinho Cusparada… Ainda não dava pra contar pras amigas. Mas já era um começo.

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